sábado, 4 de abril de 2015

Médica recebia salários em posto de saúde de RO, residindo em Marília, SP

Prejuízos aos cofres da Prefeitura de Ji-Paraná chegam a R$ 279 mil.

Fraude ocorreu entre 2011 e 2012; investigação diz que diretor foi cúmplice.

Samira LimaDo G1 RO

Fraude em folha de ponto de Unidade Básica de Saúde incluía plantões extras que nunca foram realizados pela médica (Foto: Samira Lima/G1)
O Ministério Público do Estado de Rondônia (MP-RO), por meio da promotoria de Justiça de Ji-Paraná(RO), distante 374 quilômetros de Porto Velho, promoveu uma ação civil pública que afirma que o ex-diretor de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) do município cometeu ato de improbidade administrativa. Ele teria falsificado folhas de ponto de uma médica, que estava afastada do trabalho por estar cursando uma especialização em Marília (SP). A médica recebia salários normalmente, inclusive pagamentos por plantões extras que nunca foram cumpridos. A irregularidade ocorreu por mais de um ano.
A ação foi promovida pelo promotor de justiça responsável pela Defesa da Probidade Administrativa, Pedro Wagner Almeida. A médica era contratada para prestar serviços na UBS do quilômetro 5. As folhas de ponto falsificadas eram de janeiro de 2011 a maio de 2012. A fraude possibilitou que a médica recebesse salários normalmente até o mês de junho de 2012.
O MP-RO constatou que existem documentos oriundos de um instituto de saúde na cidade de Marília, que comprovam que a médica praticou atividades acadêmicas na instituição, passou por avaliações e recebeu certificado de conclusão de estágio, exercido na instituição em tempo integral. Durante a investigação, foi constatado que não existem registros materiais, como receitas e laudos, de que a médica tenha ido à UBS no período do curso.
Funcionários do posto de saúde testemunharam sobre o caso e afirmaram que não viram a servidora na unidade entre 2011 e 2012. Além de configurado o enriquecimento ilícito, os prejuízos aos cofres da prefeitura chegaram ao valor de R$ 279 mil. Será pedido ressarcimento de dano aos cofres públicos, com atualização monetária e juros, contabilizados a partir da data do início do prejuízo. O G1 tentou contato com a médica e ex-diretor denunciados, mas não obteve retorno.
FONTE: G1,RO

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Pâncreas artificial, que será testado em 2016, é esperança para diabéticos

Projeto utiliza engenharia genética para produção de insulina.
Células pancreáticas ficarão em 'bolso' do lado de fora do abdômen.


Mulher usa protótipo de pâncreas bioartificial no Centro Europeu para o Estudo da Diabetes (CEED) (Foto: AFP Photo/Frederick Florin)
Um disco ultrafino de polímero, pouco maior do que um CD, implantado no abdômen poderia mudar a vida de milhões de diabéticos que dependem de insulina. O pâncreas bioartificial, desenvolvido por pesquisadores franceses, será testado pela primeira vez em humanos em 2016.
Com o dispositivo, os pacientes não terão mais de receber injeções diárias de insulina: o hormônio será fabricado naturalmente pelas células do pâncreas (obtidas por engenharia genética a partir de células-tronco), dispostas dentro do bolso artificial.
Este projeto, cuja aplicação em grande escala não deve ocorrer antes de 2020, "levanta muitas esperanças e expectativas" para 25 milhões de pessoas com diabetes do tipo 1 em todo o mundo, diz Séverine Sigrist, pesquisadora da start-up francesa Defymed, responsável pelo protótipo.
A ideia de um pâncreas bioartificial foi inspirada na técnica de transplante de células pancreáticas, destinadas a suprir a deficiência do pâncreas e fazer com que o organismo passe a fabricar a insulina por conta própria, regulando assim a quantidade de açúcar no sangue. O problema dessa técnica é que, com a escassez de células para transplante, ela só pode beneficiar uma pequena minoria de doentes. Ela também exige o tratamento com medicamentos imunossupressores, que trazem vários efeitos colaterais.
"Daí a ideia de projetar um tipo de uma pequena caixa dentro da qual seriam colocadas as células pancreáticas, para que elas fiquem abrigadas contra o ataque do sistema imunológico", diz Séverine.
O desafio foi projetar uma membrana semipermeável, que garanta tal proteção ao mesmo tempo em que permita a passagem da insulina e também dos açúcares, para que as células pancreáticas "saibam" o quanto de insulina devem produzir.
O disco de polímero será implantado no abdômen durante uma pequena cirurgia, e deve ser substituído a cada 4 ou 6 anos. No interior, as células pancreáticas serão renovadas, por meio de uma injeção subcutânea, a cada 6 ou 12 meses. Os pesquisadores observam que essa quantidade de injeções não tem nem comparação com o tanto de picadas que um paciente que depende de insulina tem que levar ao longo da vida.
20 anos de pesquisa
O desenvolvimento dessa membrana levou mais de 20 anos de pesquisa e 6 milhões de euros. O valor corresponde ao imenso potencial econômico da inovação, estimado em 4 bilhões de dólares.
Depois de testes em animais, um estudo com 16 voluntários deverá começar no fim de 2015 ou início de 2016, em Montpellier, no sul da França e em Oxford, no Reino Unido. Os primeiros resultados devem estar disponíveis no final de 2017.
Se for bem-sucedido, o tratamento poderá libertar os diabéticos do "fardo" que representa o tratamento diário com insulina, diz o médico Michel Pinget, diretor do Centro Europeu para o Estudos da Diabetes (CEED), que lidera o projeto em Estrasburgo.
"Quando você é diabético, gosta de toda novidade que possa melhorar o cotidiano", diz Éric Dehling, presidente da associação Insulib, que reúne mais de uma centenda de pacientes do leste da França. Para ele, as novas tecnologias, como as canetas e as bombas de insulina, já melhoraram a vida dos diabéticos. Mas o pâncreas bioartificial permite que eles sonhem com uma "qualidade de vida ainda melhor".
FONTE: G1.GLOBO.COM

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Governo faz pré-seleção de 22 cidades que poderão ter cursos de medicina

Edital foi lançado nesta quinta pelos ministérios de Educação e Saúde.
Em setembro, outros 39 municípios tinham sido selecionados.



O Ministério da Educação informou nesta quinta-feira (2) que 22 cidades de oito estados das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste foram pré-selecionadas para receber novos cursos de medicina em instituições particulares por meio do programa Mais Médicos.
Essas cidades não são capitais, têm mais de 50 mil habitantes e, segundo o MEC, possuem estrutura de saúde e equipamentos públicos (veja lista abaixo). De acordo com o ministro interino da Educação, Luiz Cláudio Costa, um edital lançado nesta quinta prevê a abertura de 1.887 vagas para cursos de medicina nesses 22 municípios.
OS 22 MUNICÍPIOS PRÉ-SELECIONADOS
Estado
Municípios
AL
São Miguel dos Campos
AM
Parintins
BA
Brumado
Irecê
Euclides da Cunha
Senhor do Bonfim
CE
Crateús
Iguatu
Itapipoca
Quixeramobim
Russas
GO
Itumbiara
MA
Chapadinha
Codó
Santa Inês
PA
Bragança
Breves
Cametá
Castanhal
PE
Araripina
Arcoverde
Salgueiro
Fonte: ministérios de Educação e Saúde
A abertura de vagas de medicina pelo país foi prometida pelo governo em 2013, em meio ao lançamento do programa Mais Médicos, que prevê o envio de profissionais para periferias das grandes cidades e municípios do interior.
À época do lançamento do programa, entidades médicas argumentaram que em grande parte dessas cidades não há estrutura para os médicos atuarem.
Segundo Arthur Chioro, o edital lançado nesta quinta atende à lei que criou o Mais Médicos e permitirá ao Brasil alcançar “no médio prazo” a meta de 600 mil profissionais da área em todo o país. Ele ressaltou ser preciso expandir as vagas de medicina em instituições e defendeu que não haja concentração na formação de médicos somente nas capitais dos estados.
Na avaliação do ministro, abertura das vagas e formação de novos médicos fará com que nos próximos anos a participação de profissionais estrangeiros no programa se torne “residual”. “A meta é criar 11,5 mil vagas até 2017 com impacto direto para a saúde a partir de 2026”, afirmou.
De acordo com o MEC, técnicos visitarão as 22 cidades pré-selecionadas entre 11 de maio e 26 de junho. O objetivo, segundo a pasta, é verificar se a estrutura da rede de saúde local atende o “mínimo necessário”  para que as atividades práticas do curso de medicina possam ser exercidas.
No ano passado, outras 39 cidades de 11 estados foram selecionadas depois de terem sido consideradas aptas a receber novas faculdades do curso de medicina.
Segundo Chioro, a principal diferença do edital lançado nesta quinta para o edital do ano passado é que o governo passou a identificar as cidades onde há necessidade de novas vagas.
“Em vez de o governo perguntar para as instituições privadas onde elas queriam abrir [faculdades de medicina], o governo, através de estudos técnicos e avaliando a necessidade a partir de critérios objetivo, identificou as cidades e regiões do país que precisam do curso de medicina e que têm condições técnicas", disse.
De acordo com o ministro, o objetivo do governo é aumentar o número de médicos por mil habitantes no país de 1,8 para 2,7 até 2026.
O ministro interino da Educação, Luiz Cláudio Costa, afirmou que o objetivo do governo é “corrigir assimetrias” em relação ao número de vagas de medicina nas grandes cidades.
“O papel do Estado é corrigir essas assimetrias e permitir que, através de estudos prévios feitos pelo MEC e pelo Ministério da Saúde, você oferte novas vagas. Você inverte a lógica. Antes, a instituição chegava e dizia que queria fazer o curso. Agora, a lógica foi invertida”, disse.
Segundo Arthur Chioro, não haverá “estímulos financeiros” para as faculdades particulares que quiserem abrir vagas de medicina, mas, ressaltou, o governo poderá enviar recursos aos municípios para garantir verbas para unidades básicas de saúde, centros cirúrgicos e cursos de formação para médicos que já atuam nessas regiões.
“Nós precisamos não só aumentar a quantidade [de vagas], mas [é preciso] aumentar a distribuição, formar mais profissionais”, disse.
Critérios
De acordo com o MEC, os municípios interessados em receber as novas vagas de medicina precisam ter número de leitos do Sistema Único de Saúde (SUS) igual ou maior que cinco; número de alunos por equipe de atenção básica menor ou igual a três; leitos de urgência e emergência ou pronto-socorro; aderir ao Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade na Atenção Básica; ter centros de atenção psicossocial; e pelo menos três programas de residência médica.
De acordo com a secretária de Regulação e Supervisão da Educação Superior do MEC, Marta Abramo, as regiões Sudeste e Sul são as que têm proporcionalmente o maior número de vagas em cursos de medicina para cada 10 mil habitantes – 1,38 e 1,29, respectivamente. Segundo ela, com o edital lançado nesta quinta, a região Norte passará a ser a região com mais vagas (1,39), Sudeste, a segunda, e Nordeste, a terceira (1,31).
Ainda segundo a secretária, o resultado dos municípios que poderão abrir vagas será divulgado no “Diário Oficial da União” em 31 de julho deste ano, após as visitas dos técnicos.
Marta Abramo informou que há no Brasil atualmente 22.344 vagas em cursos de medicina (incluindo as 1,8 mil anunciadas no edital lançado nesta quinta).
Segundo ela, o governo já identificou os municípios que precisam de novas vagas e “não faz sentido” abrir o edital para todos as cidades. “Será um edital de adesão. Apresentamos o municípios pré-selecionados e agora eles decidem se querem ou não. Quando o município adere, ele se compromete a colocar à disposição da rede o centro formador”, disse.
Ao defender a aplicação dos critérios, a secretária de Regulação e Supervisão da Educação Superior do MEC, Marta Abramo, afirmou que não se pode abrir vagas em municípios que não ofereçam aos estudantes “porte significativo para realizar o curso”.
“Se o recorte fosse somente pela necessidade, teríamos um número muito maior de cidades, mas a gente tem clareza de que não adianta levar cursos de medicina para onde não há condições, porque o curso de medicina tem características peculiares, como a formação em um cenário de prática, contato com serviços, pronto-socorro, residência e condições para que o estudante tenha, de fato, formação bastante completa”, afirmou.
Segundo a secretária, o governo pretende lançar novos editais, após divulgar os balanços da primeira e da segunda chamadas.
Cidades sem estrutura
Sobre a previsão do edital de que as cidades selecionadas necessitem ter estrutura de serviços de saúde para reivindicar o curso de medicina, o ministro Arthur Chioro disse que, embora o Brasil tenha 5,5 mil municípios, o país é divido em 447 regiões de saúde.
Segundo ele, quando cidades com 30 mil, 5 mil ou 2 mil habitantes são próximas, todas se beneficiam com a abertura de vagas na “cidade-polo” da região. De acordo com o ministro interino da Educação, Luiz Cláudio Costa, a expansão do ensino superior em todos os cursos se faz por regiões, e a chamada “interiorização” é importante para corrigir “assimetrias” na oferta de vagas entre municípios do interior e capitais.
FONTE: G1GLOBO.COM

quarta-feira, 1 de abril de 2015

7 usos incríveis para impressoras 3D na medicina

Impressão tridimensional de células humanas e até de órgãos, incluindo o coração e fígado, podem parecer ficção científica. Pesquisadores reais, entretanto, estão levando este assunto a sério. Listamos 7 usos incríveis das impressoras 3D, que podem revolucionar a medicina.

7) Imprimir células tronco embrionárias humanas.

Células tronco, essas células mágicas, podem desenvolver-se nos mais diversos tipos de tecido do corpo, agora podem ser  impressas, pelo menos em laboratório. No dia 5 de fevereiro de 2013, no jornal Science, pesquisas da Universidade de Edinburgh descrevem uma impressora baseada em válvulas que faz células tronco embrionárias humanas VIVAS. Essas células podem ser usadas para criar tecidos para testes farmacológicos ou crescer órgãos para transplante.

6) Imprimir vasos sanguíneos e tecido cardíaco.

Imprimir alguns tecidos já é uma realidade. Gabor Forgacs da Universidade de Missouri na Columbia e colegas imprimiram vasos sanguíneos e lâminas de tecidos que “batem” como um coração de verdade. O trabalho foi publicado em março de 2008 no jornal Tissue Engineering. Forgacs e colaboradores começaram uma companhia chamada Organovo para disponibilizar estes produtos para o mercado.
Um grupo na German Fraunhofer Institute também criou vasos sanguíneos, imprimindo moléculas biológicas artificiais com tinta 3D e recortando-as com laser.


5) Imprimir pele.

Nos últimos 25 anos, temos visto grandes avanços na engenharia tecidual de pele, que pode ser usada para substituir pele lesada por queimaduras, doenças de pele entre outras causas. Recentemente, cientistas tem adotado pele impressa em 3D em seu repertório. Lothar Koch e colegas, do Laser Center Hannover na Alemanha imprimiram a laser células epiteliais, como foi relatado em setembro de 2010 no jornal Tissue Engeneering (Engenharia de Tecidos, em português) parte C, métodos.

4) Consertando um coração partido.
Pesquisadores estão trabalhando no desenvolvimento de um “conserta-coração” feito de células impressas em 3D que reparam corações partidos. Ralf Gaebel e seus colegas da Universidade de Rostok , na Alemanha construíram o reparador usando uma técnica computadorizada de impressora 3D a laser. Eles implantaram esse reparador feito de células humanas em corações de ratos que sofreram infarto do miocárdio, os corações de rato que foram reparados mostraram melhora na função. Os cientistas relataram o caso em dezembro de 2011 no jornal Biomaterials.

3) Imprimindo cartilagens e ossos

O sistema esquelético também se tornou um alvo popular nas pesquisas de impressão 3D de células. Em 2011, o mesmo grupo da Alemanha que criou enxertos de células-tronco que poderiam ser diferenciadas em ossos e cartilagens. O trabalho foi publicado em janeiro de 2011 no jornal Tissue Engineering(Engenharia de Tecidos) parte C, métodos.

2) Estudar câncer com células impressas

Imprimir células pode levar a melhores jeitos de estudar doenças em laboratório e desenvolver terapias. Por exemplo, um grupo de pesquisadores usou um sistema automatizado para imprimir células neoplásicas de ovário em um gel dentro de uma placa de Petri, onde as células podem crescer e ser estudadas. A proposta desta impressão possibilita aos cientistas estudar as células tumorais num ambiente mais sistemático (preciso) e usá-las para testar fármacos. O estudo, liderado pelo engenheiro biomédico Utkan Demirici, de Harvard University Medical School e Brigham and Women’s Hospital, foi publicado em fevereiro de 2011 no Biotechnology Journal.

1) Imprimir órgãos

Podemos criar órgãos ao invés de transplantá-los? Essa foi a questão que o cirurgião Anthony Atala perguntou durante um TED talk em 2010, que se tornou viral. Dez anos atrás, Atala, que dirige o Wake Forest Institute for Regenerative Medicine, pegou células-tronco de um paciente com falência de bexiga, cresceu uma nova bexiga e transplantou no paciente. As pesquisas mais recentes de Atala estão focadas em órgãos impressos, e ele demonstrou em um experimento recente um transplante de rins.

Assista, logo abaixo, a apresentação do projeto de Anthony Atala no TED 2010, no qual ele e sua equipe demonstram a possibilidade da impressão de órgãos a partir de impressoras 3D


FONTE:http://academiamedica.com.br/7-usos-incriveis-para-impressoras-3d-na-medicina/