sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Fernandopolense é presa por fraude em vestibular de Medicina



23/01/2015 - as 07:51:00

Fernandópolis - Com o título “Unicastelo e Vunesp denunciam tentativa de fraude no Vestibular de Medicina”, matéria publicada no dia 8 de novembro de 2014, na edição 2430 do “O Extra.net”, trouxe informações sobre o modus operandi de uma quadrilha especializada em fraudar processos seletivos, principalmente em certames que garantem vaga para faculdades de Medicina em todo o Brasil.

Naquela atuação da DIG, ninguém chegou a ser preso em Fernandópolis, mas a colcha de retalhos começava a ser costurada.

UBERABA

Sete estudantes que prestavam vestibular para Medicina na Universidade de Uberaba (Uniube), foram presos no dia 6 de dezembro de 2014. Todos eles foram encaminhados à Delegacia pelo crime de fraudes em certames de interesse público (art. 311-A do Código Penal Brasileiro). Uma operação foi preparada e desencadeada no Campus Aeroporto da Uniube.

Os delegados Luiz Tortamano e Amanda Milliê da Silva Alves comandaram a operação. Com o apoio da instituição, policiais civis se passaram por fiscais durante a aplicação da prova em Uberaba. Os suspeitos têm idades entre 19 e 30 anos. Eles são de Tabatinga (SP), Aparecida do Taboado (MS), Itápolis (SP), Conceição das Pedras (MG), Umuarama (PR).

ÚLTIMO DOMINGO

A Polícia Civil prendeu 11 pessoas que fraudaram o vestibular de Medicina de um centro universitário de São João da Boa Vista, localizado a 218 quilômetros de São Paulo, próximo ao Estado de Minas Gerais. O flagrante aconteceu pouco antes das 18 horas deste domingo (18). Uma equipe da Central de Polícia Judiciá- ria (CPJ) de São João da Boa Vista organizou a operação após receber informações de que uma quadrilha especializada em fraudar vestibulares agiria durante o processo seletivo do curso superior de Medicina.

Os policiais descobriram que a fraude ocorreria da seguinte forma: “o piloto” do bando resolveria a parte objetiva do vestibular e sairia do prédio após as 17h30. Em seguida, enviaria as respostas por mensagens de texto de celular (SMS) aos candidatos.

No dia da prova, os investigadores se disfarçaram de fiscais para monitorar os envolvidos. Quando chegou o horário marcado, 11 candidatos começaram a agir de maneira suspeita. Alguns pediram para ir ao banheiro, onde foram abordados. Os outros foram revistados apenas ao final da prova.

Os policiais encontraram com os suspeitos telefones celulares, canetas, papéis com transcrição das mensagens de SMS e folhas de respostas da prova. Um dos celulares utilizados na fraude foi encontrado dentro de um preservativo.

INDICIADOS

Entre os presos está a jovem T.Z.M., de 21 anos, filha de um comerciante de Fernandópolis. Foram presos em flagrante os estudantes M.M.C., 18, E.M.B., 19, H.F.P., 19, F.F., 20, A.C.H.N., 21, T.Z.M., 21, C.C.J.L., 24, F.F.B., 18, além das enfermeiras C.R.R., 31, A.P.L.V, 28, e D.R.M.S.I, de 32 anos.

Segundo a Polícia Civil, no momento da abordagem, todos os suspeitos confessaram ter participado da fraude. Porém, na presença de seus advogados, eles não disseram nada sobre o crime.

A Delegacia Seccional de São João da Boa Vista registrou o caso como fraudes em certames de interesse público. Foi arbitrada fiança de R$ 42 mil, mas até a finalização da ocorrência ninguém havia pago o valor. Os potenciais futuros médicos presos são dos Estados de Goiás, Minas Gerais e São Paulo. As 9 mulheres foram levadas para a Cadeia Pública de Águas da Prata, e os 2 homens permaneciam presos em São João da Boa Vista.

INFLACIONADO

Os estudantes que ingressaram no esquema da quadrilha que agiu no vestibular de domingo (18), estavam dispostos a pagamentos vultosos por uma vaga no Centro Universitário. “Sabemos que cada um dos 11 vestibulandos presos pagou R$ 7 mil, antecipadamente, para participar da fraude. Em caso de aprovação, eles deveriam pagar de R$ 35 mil a R$ 100 mil aos criminosos”, afirmou o Delegado Sebastião Antonio Mayriques, da Seccional de São João da Boa Vista.

Em Fernandópolis, o Vestibular da Unicastelo teria vagas vendidas pelo valor de R$ 45 mil.

GABARITO NO CELULAR

Segundo as autoridades, que se infiltraram entre os estudantes à paisana, um membro da quadrilha, destacado pela inteligência, fez a prova e saiu do prédio com o gabarito anotado. “Este membro é chamado piloto e passou as respostas para uma segunda pessoa, que remeteu, através de mensagem de texto de celular, o gabarito para os participantes que estavam nas salas de aula realizando a prova”, explicou.

Como não é permitido utilizar celulares em sala, os vestibulandos optaram por modelos pequenos e os esconderam junto ao corpo, usando estratégias variadas.

Um dos estudantes chegou a usar um absorvente geriátrico, onde colocou o aparelho. Quando as mensagens de texto chegaram, os vestibulandos foram até o banheiro para anotar o gabarito em pequenos papéis e terminaram presos pelos agentes da Polícia Civil que já tinham informações sobre a identidade dos criminosos.

QUADRILHA

As autoridades já têm certeza quanto à existência de uma quadrilha que vinha agindo em vários vestibulares para cursos de Medicina.

De acordo com as investigações, é possível que outras 15 pessoas tenham participado da fraude no último domingo, vestibulandos estes que ainda não foram presos. Os 11 detidos, porém, não responderão pelo crime de formação de quadrilha.

“Eles foram indiciados por fraude em certame de interesse público, conforme o artigo 311, inciso III, do Código Penal”, afirmou Mayriques. Há pelo menos 38 faculdades de todo o país alvos da atuação de grupos criminosos fraudando ou tentando fraudar vestibulares de Medicina.

Segundo a Polícia, em vários vestibulares as instituições deram apoio para impedir que os criminosos tivessem êxito nas fraudes. Até o momento, 69 pessoas foram presas em vários Estados do Brasil e no Distrito Federal, deste total de prisões, 18 foram em Goiás; 16 em Minas Gerais; 5 no Rio de Janeiro; 16 em São Paulo; 4 no Distrito Federal; 4 no Rio Grande do Sul; 3 no Tocantis; 2 no Espírito Santo e 1 no Acre.

João Leonel-Jornal O Extra

CONES-PY "Será reforçado os critérios de qualidade e controle no ensino superior"




Publicado por julia.centurion - 21 de January de 2015


A ministra Marta Lafuente, anunciou que este ano vai ser reforçado critérios de controle de qualidade em relação ao ensino superior, e exortou o público a se tornar consciente a escolha autorizada pelo Conselho Nacional de Educação Superior Universidades CONES.

Este ano, eles continuarão ao controle. Os cones é o órgão responsável por garantir a qualidade do ensino superior, "muito a corrigir no sistema de ensino superior, porque ele estava trabalhando grande discrição, continuará nesta política", disse o ministra Lafuente.

É importante que os cidadãos usam a informação divulgada, para que possam estar cientes de raças reconhecidas e você crédito, o que atesta a qualidade de excelência, "os nossos cidadãos têm de saber que este mundo se move no conhecimento", disse ela.

No ano passado estabeleceu uma agenda para começar a colocar expansão e critérios para avaliar a qualidade da pós notas.

"Cursos de pós-graduação exigem muita dedicação, de pós-graduação é um nível extremo de engenharia da formação, em seguida, que requer tutoria intensiva e dedicação de muitas horas", disse a ministra Lafuente.

Ela também mencionou que a questão da pós notas devem ser coordenadas de trabalho com a agência de avaliação e acreditação, uma vez que o foco da ANEAES está também em cursos de graduação.

Registro de títulos


O registo dos títulos é feita por declaração, desde o ano passado está sendo aplicada apenas registrar o aluno para que as instituições mostram que o indivíduo participaram desses estudos. A revisão dos títulos registrados e é um mecanismo que nunca antes foi dada dentro do MEC "situação leva à revisão dos diplomas concedidos inclusive; e, claro, para tirar mecanismos preventivos para evitar que isso aconteça novamente e pode ter o registro da formação acadêmica dos cursos desenvolvidos.

O Titular da Educação Portfolio incitaram o público e os alunos a perceber e seguir carreiras CONES credenciados ", aqui, é importante que os cidadãos e os alunos tenham consciência e não comprar ilusões porque o dano é feito no serviço é muito grande, não é ético, é irresponsável e uma violação de todos os princípios do ensino universitário ", disse ela.

Fonte:http://www.mec.gov.py/cms

Diretor executivo do ISAGS fortalece aliança com países da UNASUL em reuniões bilaterais na AMS




22-05-2014 - AUTOR: MARIANA MORENO

A Assembleia Mundial da Saúde (AMS) é uma oportunidade para construir e reforçar alianças. Foi com este intuito que, durante o evento, o Diretor Executivo do ISAGS, José Gomes Temporão, participou de reuniões bilaterais com países da UNASUL. Temporão esteve com autoridades da Argentina, Brasil, Chile e Venezuela


A Assembleia Mundial da Saúde (AMS) é uma oportunidade para construir e reforçar alianças. Foi com este intuito que, durante o evento, o Diretor Executivo do ISAGS, José Gomes Temporão, participou de reuniões bilaterais com países da UNASUL. Temporão esteve com autoridades da Argentina, Brasil, Chile e Venezuela.

O vice-ministro de saúde da Argentina e coordenador nacional do país no Conselho de Saúde Sul-Americano (CSS), Eduardo Bustos Villar, relacionou o papel do instituto com o processo de aprofundamento da integração regional dos países sul-americanos: “A UNASUL deve se fortalecer como espaço de integração para que possamos levar adiante a iniciativa do ISAGS”, declarou.

A reunião, que contou com a presença da coordenadora alterna, Andrea Carbone, também foi pautada pelos dois projetos do Fundo de Iniciativas Comuns (FIC) que pertencem ao CSS: o projeto de implementação do banco de preços de medicamentos da UNASUL e o mapeamento das capacidades regionais de produção de medicamentos, que é coordenado pelo ISAGS e pelo Grupo de Acesso Universal a Medicamentos. Bustos salientou que o diagnóstico resultante do projeto sobre capacidade produtiva deve ser analisado com vistas à formação de alianças para potencializar a produção de medicamentos na região sul-americana.

Temporão ressaltou a importância do trabalho conjunto do ISAGS e do GAUMU na elaboração do programa da oficina sobre propriedade intelectual, que acontecerá em setembro. Tomas Pippo, coordenador do GT, também esteve em reunião com Temporão e reforçou a convocação do apoio do ISAGS no projeto de banco de preços, como definido na última reunião do grupo, realizada no começo deste mês.

Ficou acordada ainda, a formação de uma comissão chefiada por Bustos e formada por Pippo e pela chefe de gabinete do ISAGS, Mariana Faria, com a finalidade de visitar a Secretária Geral da UNASUL para prosseguimento nas ações necessárias para a concretização dos projetos do FIC.

Na bilateral com a Venezuela, a proposta de incorporação de representantes dos países da UNASUL ao quadro de funcionários do ISAGS foi a questão central abordada pelo ministro da Saúde O coordenador do GT de Medicamentos, Tomás Pippo, solicitou que o evento seja realizado na Argentina, Francisco Armada. Temporão destacou que a ideia é extremamente bem-vinda e que foi apresentada pelo Instituto durante a reunião do Conselho de Saúde Sul-Americano que ocorreu em Lima, em 2012. O diretor falou sobre a necessidade de ser analisado o processo de aprovação de funcionários adidos dos ministérios da Saúde.

Em encontro com autoridades chilenas, o Diretor do ISAGS falou sobre a importância de o instituto trabalhar junto com a nova gestão do Ministério da Saúde do país, que desde março está a cargo de Helia Molina, pediatra e mestre em saúde pública. Raquel Child e Aníbral Hurtado, que também fazem parte do gabinete da pasta, discorreram sobre a saúde materno-infantil, tema bastante abordado durante a abertura da AMS por Margaret Chan, diretora da Organização Mundial da Saúde, e por Susana Muñiz, ministra da Saúde do Uruguai. Temporão lembrou que o programa Chile Cresce Contigo, de sistema de proteção integral à infância, serviu de base para o programa Brasileirinhos e Brasileirinhas saudáveis, e que a experiência pode ser benéfica também para outros países sul-americanos.

Em reunião com Arthur Chioro, ministro da Saúde do Brasil, Temporão enfatizou a relevância do apoio do país na aprovação do acordo de sede do Instituto. Chioro afirmou que o assunto está na agenda do ministério e está sendo acompanhado pelo assessor especial de Relações Internacionais, Alberto Kleiman, junto à Casa Civil e ao Itamaraty. A Assembleia Mundial da Saúde (AMS) é uma oportunidade para construir e reforçar alianças. Foi com este intuito que, durante o evento, o Diretor Executivo do ISAGS, José Gomes Temporão, participou de reuniões bilaterais com países da UNASUL. Temporão esteve com autoridades da Argentina, Brasil, Chile e Venezuela.

O vice-ministro de saúde da Argentina e coordenador nacional do país no Conselho de Saúde Sul-Americano (CSS), Eduardo Bustos Villar, relacionou o papel do instituto com o processo de aprofundamento da integração regional dos países sul-americanos: “A UNASUL deve se fortalecer como espaço de integração para que possamos levar adiante a iniciativa do ISAGS”, declarou.

A reunião, que contou com a presença da coordenadora alterna, Andrea Carbone, também foi pautada pelos dois projetos do Fundo de Iniciativas Comuns (FIC) que pertencem ao CSS: o projeto de implementação do banco de preços de medicamentos da UNASUL e o mapeamento das capacidades regionais de produção de medicamentos, que é coordenado pelo ISAGS e pelo Grupo de Acesso Universal a Medicamentos. Bustos salientou que o diagnóstico resultante do projeto sobre capacidade produtiva deve ser analisado com vistas à formação de alianças para potencializar a produção de medicamentos na região sul-americana.

Temporão ressaltou a importância do trabalho conjunto do ISAGS e do GAUMU na elaboração do programa da oficina sobre propriedade intelectual, que acontecerá em setembro. Tomas Pippo, coordenador do GT, também esteve em reunião com Temporão e reforçou a convocação do apoio do ISAGS no projeto de banco de preços, como definido na última reunião do grupo, realizada no começo deste mês.

Ficou acordada ainda, a formação de uma comissão chefiada por Bustos e formada por Pippo e pela chefe de gabinete do ISAGS, Mariana Faria, com a finalidade de visitar a Secretária Geral da UNASUL para prosseguimento nas ações necessárias para a concretização dos projetos do FIC.

Na bilateral com a Venezuela, a proposta de incorporação de representantes dos países da UNASUL ao quadro de funcionários do ISAGS foi a questão central abordada pelo ministro da Saúde,Francisco Armada. Temporão destacou que a ideia é extremamente bem-vinda e que foi apresentada pelo Instituto durante a reunião do Conselho de Saúde Sul-Americano que ocorreu em Lima, em 2012. O diretor falou sobre a necessidade de ser analisado o processo de aprovação de funcionários adidos dos ministérios da Saúde.

Em encontro com autoridades chilenas, o Diretor do ISAGS falou sobre a importância de o instituto trabalhar junto com a nova gestão do Ministério da Saúde do país, que desde março está a cargo de Helia Molina, pediatra e mestre em saúde pública. Raquel Child e Aníbral Hurtado, que também fazem parte do gabinete da pasta, discorreram sobre a saúde materno-infantil, tema bastante abordado durante a abertura da AMS por Margareth Chan, diretora da Organização Mundial da Saúde, e por Susana Muniz, ministra da Saúde do Uruguai. Temporão lembrou que o programa Chile Cresce Contigo, de sistema de proteção integral à infância, serviu de base para o programa Brasileirinhos e Brasileirinhas saudáveis, e que a experiência pode ser benéfica também para outros países sul-americanos.

Em reunião com Arthur Chioro, ministro da Saúde do Brasil, Temporão enfatizou a relevância do apoio do país na aprovação do acordo de sede do Instituto. Chioro afirmou que o assunto está na agenda do ministério e está sendo acompanhado pelo assessor especial de Relações Internacionais, Alberto Kleiman, junto à Casa Civil e ao Itamaraty.

A contaminação do SUS pela fragilidade da atenção básica e má formação de médicos.

Por João Vitor Santos, do site IHU Unisinos





“O que pensar de futuros médicos que promovem baladas em que se praticam violências contra suas colegas mulheres? Quais são as disciplinas que tratam as questões éticas, morais e humanitárias do exercício profissional? Simplesmente inexistem”, destaca o ex-ministro da Saúde.

O Sistema Único de Saúde – SUS atende a todos os brasileiros e a grande maioria tem nele o único acesso a atendimentos médicos. Mas para o ex-ministro da Saúde e diretor-executivo do Instituto Sul-Americano de Governo em Saúde – ISAGS/UNASUL, José Gomes Temporão, o Sistema é muito mais do que isso.

Em entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line, ele revisita os conceitos e princípios que balizam essa política de Saúde. Destaca que é preciso se ter clareza de que o SUS visa não só aos atendimentos, mas à promoção humanista da saúde em ações que passam pela prevenção. Mas reconhece que essa atenção básica precisa se expandir. Para assegurar eficiência, é preciso levar o princípio para toda a Esplanada dos Ministérios. “O senso comum, quando fala de saúde, pensa em médicos, hospitais, tecnologias. É preciso inverter essa equação colocando a produção de saúde na frente do processo”, pontua.

Essa revisão conceitual da política passa também pelos profissionais da área. Médicos, por exemplo, vivem o que o ex-ministro chama de “mercantilização da profissão”. Desde a sua formação, a preocupação passa a ser mais o lucro, o reconhecimento enquanto especialista, esquecendo que, num sistema como o SUS, o que está no centro é a visão de saúde “como um bem coletivo, patrimônio da sociedade”, e não como “um espaço de acumulação para fazer bons negócios”. “Do lado da saúde institucionalizada as respostas não se encontram na falta de oferta de especialistas, mas sim na fragilidade da atenção básica e na formação precária dos novos médicos frente à questão da ética profissional”, completa o médico, que ainda fala sobre corrupção e as diferenças do sistema brasileiro em relação aos países mais ricos.

José Gomes Temporão é médico sanitarista. Assumiu o Ministério da Saúde no Governo Lula, em 2007, e permaneceu no cargo até 2011. Hoje, é diretor Executivo do Instituto Sul-Americano de Governo em Saúde.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Gostaria que o senhor nos recordasse os princípios básicos do Sistema Único de Saúde – SUS. Como ele funciona?

José Gomes Temporão – O SUS é resultado de um longo processo de luta da sociedade brasileira pelo direito à saúde. Ele toma forma apenas em 1988 com a promulgação da nova Constituição que contempla um capítulo específico sobre a saúde. Está escrito: “A saúde é um direito de todos e dever do Estado”. Depois, aprovou-se a Lei Orgânica da Saúde que contempla os princípios da universalização, descentralização, integralidade e controle social. Hoje, o SUS atende a todos os brasileiros, sendo que 75% da população depende única e exclusivamente do Sistema para suas necessidades em saúde.

IHU On-Line – Se lhe fosse dada a missão de rever alguns conceitos e princípios do SUS, quais seriam?

José Gomes Temporão – Penso que a descentralização ao longo destes 25 anos adotou um viés de municipalização que levou a certa fragmentação na organização de redes integradas de atenção. Precisamos resgatar nesse contexto o conceito de região. Por outro lado, as relações público-privadas deveriam ser revistas.

“Penso que a descentralização ao longo destes 25 ano [do SUS] adotou um viés de municipalização que levou a certa fragmentação na organização de redes integradas de atenção. Precisamos resgatar nesse contexto o conceito de região”

IHU On-Line – Países europeus e mesmo os Estados Unidos, muito mais ricos que o Brasil, não dispõem de um sistema público — e gratuito — de saúde como o nosso. No que o SUS poderia inspirar outros países e no que se diferencia das políticas em saúde dessas outras nações?

José Gomes Temporão – Na verdade, o Brasil se inspirou nos modelos de welfare europeus, como o da Inglaterra ou do continente americano, como o do Canadá. Mas, também, da experiência cubana e dos princípios da Conferência de Alma Ata daOMS. O cerne da diferença é se a saúde é vista como um bem coletivo, patrimônio da sociedade, ou se é vista como um espaço de acumulação para fazer bons negócios.

IHU On-Line – Como o SUS atua na medicina preventiva? Fala-se no programa Saúde da Família, mas é o único? Como funciona?

José Gomes Temporão – Todo sistema de saúde diferenciado em termos de qualidade e impacto deve ter como base uma política de atenção básica universal. Assim é na Inglaterra, por exemplo, onde todo e qualquer cidadão para ter acesso a qualquer nível do sistema deve se consultar com o médico de família. O nosso Programa Saúde da Família – PSF se inspira nesse princípio. Hoje, ele cobre cerca de 50% da população brasileira e tem impactado de forma significativa as condições de saúde das populações que se beneficiam dele.

“O cerne da diferença é se a saúde é vista como um bem coletivo, patrimônio da sociedade, ou se é vista como um espaço de acumulação para fazer bons negócios”

IHU On-Line – Recentemente, reportagem do programa Fantástico, da Rede Globo, denunciou um esquema de corrupção envolvendo próteses médicas. Além de colocar a saúde de pacientes em risco, médicos chegam a desviar 100 mil Reais por mês do SUS. Como o senhor recebeu essa denúncia?

José Gomes Temporão – Estarrecido, como toda a população e a grande maioria dos médicos. Será necessário regular esse mercado que a cada ano cresce de forma importante com a introdução de novas tecnologias.

IHU On-Line – Fraudes e desvios de recursos a que o SUS é exposto têm sido alvo de denúncias há muitos anos. Como preservar o Sistema para assegurar que o recurso — quase sempre escasso — não caia na teia de corrupções e desvios?

José Gomes Temporão – Os inimigos do SUS batem nessa tecla com frequência. Os mais ignorantes chegam a afirmar que não faltam recursos ao sistema público, e sim controle melhor dos recursos disponíveis. As fraudes devem ser combatidas ampliando-se a transparência, o acesso das pessoas à informação e os modelos de participação social.

“As fraudes devem ser combatidas ampliando-se a transparência, o acesso das pessoas à informação e os modelos de participação social”

IHU On-Line – Violência, criminalidade e acidentes de trânsito fazem milhões de vítimas todos os dias no Brasil. Quanto o sistema público de saúde gasta tratando vítimas dessas situações?

José Gomes Temporão – O volume de recursos financeiros gasto no tratamento e reabilitação das vítimas é fator relevante, mas menor. O custo do ponto de vista humano e societário é dramático. No Brasil o número de homicídios a cada ano gira em torno dos 50 mil. A maioria, jovens do sexo masculino e negros. Acidentes de trânsito vitimam cerca de 40 mil por ano. Vivemos uma epidemia de violência agravada pela falência do sistema prisional e da própria justiça. Mas a sociedade se nega a ver de frente as determinações estruturais dessa situação que na realidade é o modelo de sociedade que estamos construindo. O motor que produz violência está na exclusão, no preconceito, na injustiça, no abismo social entre as classes, na precariedade do sistema escolar e de saúde, na violência contra as mulheres, crianças e idosos, na homofobia, na falência das políticas de combate às drogas ditas ilegais. Sem enfrentar essa determinação, a situação só irá piorar.

IHU On-Line – Recentemente, o senhor disse que “o desenvolvimento sustentável do país requer colocar a saúde em todas as políticas, considerando suas dimensões biológica, psicológica e social para construir um ambiente facilitador à vida”. Como operacionalizar isso?

José Gomes Temporão – Deve-se começar não confundindo saúde com assistência à saúde. O senso comum, quando fala de saúde, pensa em médicos, hospitais, tecnologias. É preciso inverter essa equação colocando a produção de saúde na frente do processo. Vamos a alguns exemplos: a contaminação do ar e da água, os pesticidas usados largamente sem controle para o cultivo de alimentos, os acidentes de trânsito e de trabalho, os homicídios que se contam às dezenas de milhares por ano, na violência generalizada.

Do lado da saúde institucionalizada as respostas não se encontram na falta de oferta de especialistas, mas sim na fragilidade da atenção básica e na formação precária dos novos médicos frente à questão da ética profissional e da mercantilização da profissão. Em relação a estes, o que pensar de futuros médicos que na Universidade de São Paulo – USP promovem baladas em que se praticam violências contra suas colegas mulheres? Quais são as disciplinas que tratam as questões éticas, morais e humanitárias do exercício profissional? Simplesmente inexistem.

Mais exemplos? Vamos lá: a mortalidade materna não cai na velocidade desejada, mas não queremos enfrentar o aborto como uma de suas principais causas; a obesidade infanto-juvenil cresce em progressão geométrica, mas a publicidade de fast food e refrigerantes segue de vento em popa; a terceira causa de morte no país já são os homicídios e acidentes de trânsito e de trabalho, mas continuamos com visões simplistas e limitadas das raízes da violência e equivocadamente pedimos mais polícia para enfrentá-la; vociferamos contra o consumo das drogas ilegais (fora maconheiros!) e somos complacentes com o consumo abusivo de álcool; rangemos os dentes quanto ao desvio de verbas públicas na saúde pública e a corrupção que a acompanha, mas ingenuamente cremos quando nos vendem a ilusão de que ter um plano de saúde vai nos curar de todos esses males e também daqueles das filas do SUS.

IHU On-Line – Passado o tempo de implantação, qual a sua avaliação do programa Mais Médicos?

José Gomes Temporão – Penso que ainda é cedo para termos uma avaliação de caráter mais qualitativo e que possa medir o real impacto. Mas as informações preliminares são muito positivas.

IHU On-Line – É possível articular SUS e sistema privado de planos de saúde? Como?

José Gomes Temporão – São modelos conceitualmente distintos. Um se baseia no direito universal à saúde e no financiamento público. O outro é um negócio que obrigatoriamente deve ter equilíbrio financeiro. No primeiro temos o cidadão diante da sociedade e do Estado. No segundo é o consumidor diante do mercado.